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Corcovado antes do Cristo

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O Corcovado, com 710 metros, é um dos morros da cidade do Rio de Janeiro, célebre no Brasil e no mundo pela sua estátua do Cristo Redentor, de 38 metros de altura. A estátua foi inaugurada em 12 de outubro de 1931, e é hoje um dos principais símbolos do país. No dia 7 de julho de 2007, o Cristo Redentor foi eleito uma das 7 Novas Maravilhas do Mundo. A votação teve o patrocínio da ONU.

Mas e antes?

Ao meu ver a beleza do Corcovado está na sua geografia em si, e não na estátua que fica em seu cume. Na verdade, por mais cinematográfica que ela seja, acaba sendo uma afronta à naturalidade do local. É interessante perceber que o Cristo Redentor, assim como o bondinho do Pão de Açúcar, só existe hoje porque foi construído em uma época onde impacto ambiental era besteira.

A seguir, algumas fotos raras do Corcovado antes do Cristo Redentor. Ali existia o Mirante Chapéu do Sol, que foi construído inicialmente em madeira, no ano 1885.

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Germany trip 2011

Brandenburger-Tor

Uma lente 50mm cortada ao meio vira uma 25mm?

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Os caras da Leica resolveram testar, e a escolhida para o sacrifício foi uma Leica 50mm f/1.4.


Carnaval 2011: Serra do Cipó

Odeio carnaval, fugi para o Cipó. Algumas fotos feitas com meu celular:


Pedra da Gávea + Agulhinha


Nikon AF-S 24-70mm Lens… cup?


Os amantes de fotografia, aqueles que vivem e respiram fotografia 24hs por dia, agora podem começar o dia tomando um café em… uma lente?!

Sim e não.

Esse site vende canecas/lentes completamente fiéis aos equipamentos reais. Inclusive, nessa caneca 24-70, se você quiser aumentar a capacidade da caneca é só girar o “zoom” dela!

Seria interessante ver a reação de outro fotógrafo ao ver você despejar um suco ou água dentro da sua “lente”…

As canecas Canon funcionam melhor com bebidas esportivas...


“Life Through a Marble”

Com uma Canon XS DSLR, uma 50mm e um tubo de extensão de 13mm, Caleb (Cabe26 no Flickr) retrata “a vida através de uma bola de gude”, e o motivo é bastante evidente: nela, vemos belas paisagens refratadas pelas pequenas bolas translúcidas.

“Equipado com o tubo de extensão, consigo me aproximar da bola de gude e focar apenas no que está dentro dela. Com o foco tão próximo, consigo um cenário bem definido na bola, enquanto o plano de fundo se torna uma mistura de cores borradas”, explica Caleb. “Depois de tirar a foto original, faço edições simples no Photoshop, como girar a imagem 180º (porque a imagem refratada pela bola é invertida) e ajustar cores, contraste, luz etc., até que a imagem me satisfaça”.

Alguns exemplos:


O Rio de Janeiro do ar

Algumas fotos que tive a oportunidade de fazer, em um voo de helicóptero recente. Para fazer esse ensaio usei a canon G12 da Lia,  principalmente por causa do visor móvel, que me permitiu colocar a máquina apontada para baixo ou para o lado sem precisar me contorcer para ver no viewfinder o que estava fotografando.


Fotos e vídeo UK 2010 no forno. Enquanto isso…

Algumas das minhas fotos favoritas da décima semana da Nature Gallery, do 2010 National Geographic Photography Contest Voting Machine. Vote aqui!

(c)Stephen Earle

(c)Cynthia Hedgecock

(c)Kathy Gerber

(c)stuart gibson


UK trip 2010

Trafalgar Square, London ©PedroStabile.com

No meio do mês passado, fiz uma viagem alucinante para a Inglaterra e França, onde encontrei com meu grande amigo Ned. Por esse motivo, o blog ficou abandonado. Em breve (mesmo!) vou postar aqui as melhores fotos da trip, tanto da parte cultural (museus, galerias, catedrais) como da parte escaladora (peak district, font, hard grit).


Viral

Você sabe o que é um viral? Espero que sim. Se souber, pode ir embora para o próximo site… :(

MAS, se você acha que sabe, e na verdade não sabe, e não sabe que não sabe, e portanto é pior que o cara que sabe que não sabe, continue lendo.

Marketing viral ou publicidade viral referem-se a técnicas de marketing que tentam explorar redes sociais pré-existentes para produzir aumentos exponenciais em conhecimento de marca, com processos similares à extensão de uma epidemia. A definição de marketing viral foi cunhada originalmente para descrever a prática de vários serviços livres de email de adicionar publicidade às mensagens que saem de seus usuários. O que se assume é que se tal anúncio ao alcançar um usuário “susceptível”, esse usuário será “infectado” e reenviará o email a outras pessoas susceptíveis, “infectando-as” também. Enquanto cada usuário infectado envia um email a mais do que um usuário susceptível, em média (ou seja, a taxa reprodutiva básica é maior do que um), os resultados padrão em epidemiologia implicam que o número de usuários infectados crescerá segundo uma curva logística, cujo segmento inicial é exponencial.

Wikipedia

Blá, blá, blá…

Nada mais é do propaganda disfarçada, que está te vendendo algo sem que você saiba, e ainda por cima, ache tão legal que você mesmo vai fazer a divulgação.

Você dificilmente recomendaria para seus amigos um comercial do Vanish, poder O2… “Cara, saca só esse comercial do Vanish! A mancha saiu toda, em uma passada, só uma!”

Mas você certamente divulgaria esse vídeo, assim como eu, e 6.459.455 pessoas até agora (16hs, 28/09/2010).

Muito importante! Esse vídeo não é real! Pelo amor de deus!!! É um comercial de tênis disfarçado!

Mas é um bom comercial… e muito, mas muito bem feito.


Urca

Trilha do Morro da Urca + CEPI + costão + pista Cláudio Coutinho (até entrada da trilha) = 1:32 min

Foto da vista do RJ do final do CEPI. Do meu celular.


Parque Nacional da Serra dos Órgãos

No final de semana dos dias 21 e 22 de agosto, eu e Guilherme “Zig” fizemos uma investida no Parque Nacional da Serra dos Órgãos com 4 objetivos em mente: escalar o Paredão Paraguaio, no Morro da Cruz, a Verruga do Frade, a Chaminé Cassin e a Agulha do Diabo, bivacando a noite depois da Verruga no Acampamento Paquequer.

Amarrei um cordelete no celular e tirei umas fotos. Pensei muito em levar minha câmera profissional, mas como era importante estar o mais leve possível, não acho que uma Nikon D200 com 2 lentes e um tripé iriam ajudar. Mas devo dizer que fiquei satisfeito com o resultado do meu Nokia guerreiro, que mesmo depois de ser amassado na chaminé da Verruga (escalei com ele no bolso!) funcionou perfeitamente.

A seguir, um relato das trilhas e escaladas, com fotos :)

>> Sábado, 21 de agosto

04:10 – Saída do RJ

Os ingressos já haviam se esgotado desde quarta ou quinta, mas fomos informados que haveriam 30 ingressos adicionais a serem vendidos a partir das 7, por ordem de chegada. No último final de semana havíamos ido até o Parque mas começou a chover. Mesmo assim tinham umas 5 pessoas na fila, às 6 horas da manhã, com o tempo ruim. Como a previsão do tempo estava ótima, bateu uma paranóia e decidimos sair o mais cedo possível para garantir nossa entrada.

05:50 – Portaria do Parque

Só tinham dois caras na fila, de moto, e a temperatura devia estar abaixo dos 10 graus. Corajosos. Enquanto esperávamos o início da venda, algumas pessoas chegaram para entregar o termo de responsabilidade e partiram rumo ao Dedo de Deus.

Trilha da Pedra do Sino ©PedroStabile.com

Trilha da Pedra do Sino ©PedroStabile.com

07:35 – Trilha do Sino

Ingresso comprado, carro estacionado na antiga pousada, mochila arrumada, começamos a trilha da Pedra do Sino. Decidi no último segundo levar um casacão que iria deixar no carro, pois havia levado somente para esperar o Parque abrir. Boa decisão.

08:10 – Cachoeira Véu da Noiva

Após cerca de 35 min de caminhada, chegamos na Véu da Noiva e paramos um momento. Fiquei impressionado com o pouco volume de água da cachoeira. A água mal escorria na pedra, bem diferente de quando fui ao Sino em novembro de 2009 com a Lia. Mal conseguimos atravessar uma passagem, por causa da água que corria.

(Foto das duas “versões” da cachoeira em breve!)

09:45 – Paredão Paraguaio

Após sair da trilha do Sino em direção ao Morro da Cruz, chegamos na base do nosso primeiro objetivo, a via Paredão Paraguaio, 4º V. Ficamos sabendo, após nossa tentativa frustada de uma semana antes, que os grampos da via haviam sido retirados e que agora ela era toda em móvel. Ótimo! O Zig guiou a primeira enfiada, eu fiquei com a segunda, e ele guiou novamente o finalzinho da via, com direito a montar parada em móvel no cume, embora eu acho que não teria adiantado muito, caso eu caísse.

Zig na segunda enfiada do Paredão Paraguaio ©PedroStabile.com

12:00 – Cume do Morro da Cruz

Após cerca de 2 horas de escalada, e alguns domínios de platôs de mato esquisitos, chegamos ao cume do Morro da Cruz. O dia estava perfeito, e iria continuar por todo o final de semana. Do cume pudemos avistar muitos picos como a Agulha do Diabo, o São João, o São Pedro, o Dedo de Deus, etc. Após um descanso de cerca de 40 min, e de escondermos as mochilas, partimos em direção ao Queixo do Frade, para chegar na Verruga do Frade, nosso segundo objetivo.

Vista do São Pedro, São João e a Agulha do Diabo ©PedroStabile.com

Cume Morro da Cruz ©PedroStabile.com

13:40 – Verruga do Frade

Descemos o Morro da Cruz, subimos o Queixo da Frade, caminhamos por um abismo sinistro, e descemos mais em direção a Verruga do Frade. Já bem perto, pudemos observar dois escaladores na via, o primeiro ainda estava terminando a primeira enfiada. Depois soube que era o Mauro Chiara.

A caminho da Verruga... ©PedroStabile.com

Verruga do Frade ©PedroStabile.com

14:00 – Escalada da Verruga

A primeira enfiada da Verruga é uma chaminé longa, de uns 35 metros, que dizem ser um 4º grau. Talvez se você usar joelheiras! Nunca senti tanta dor em uma via. O engraçado é que tem uma placa na base com uma inscrição bizarra do tipo “somente o fogo purificador do sacrifício elevará a alma humana…”, purificadora é a chaminé! A segunda enfiada é curta, na verdade depende de um lance, e eu me dei mal. Mas consegui fazer, eventualmente, e assim chegamos ao cume e demos de cara com a verruga, uma “pedrinha” equilibrada muito interessante. Dois lances de artificial e pronto, cume!

Zig na chaminé da Verruga ©PedroStabile.com

Cume da Verruga ©PedroStabile.com

Agulha... ©PedroStabile.com

16:00 – Retorno ao Morro da Cruz

Após um rapel bastante aéreo, chegamos de volta a base e prontamente partimos de volta ao Morro da Cruz, no intuito de resgatarmos as mochilas ainda de dia. A chaminé da Verruga realmente nos cansou, e demoramos cerca de 1,5 h para voltarmos, passando por uma cansativa subida por um costão que rapelamos na ida. O visual da Verruga ao anoitecer é impressionante.

Verruga do Frade ao anoitecer ©PedroStabile.com

17:30 – Resgate das mochilas, Caminho das Orquídeas

De volta ao cume do Morro da Cruz, resgatamos as mochilas (e os casacos!) e aproveitamos o anoitecer para fazer um lanchinho. Já que tínhamos apenas alguns poucos minutos de luz, resolvemos descansar até anoitecer e fazer a trilha do Caminho das Orquídeas, rumo ao Acampamento Paquequer, já a noite com o uso de headlamps.

Começamos a descida e logo encontramos dois escaladores que haviam acabado de escalar a Agulha do Diabo. Eles falaram que a trilha estava seca, o que nos animou. Após uma rápida conversa, seguimos em direção ao nosso bivaque.

Cume do Morro da Cruz ao anoitecer ©PedroStabile.com

Cume do Morro da Cruz ao anoitecer ©PedroStabile.com

19:00 – Acampamento Paquequer

A trilha realmente estava bem seca, a não ser por um trecho de lama eterna. Como estava escuro, infelizmente não pude apreciar o famoso Caminho das Orquídeas. Após uma caminhada composta basicamente de descida, chegamos ao Acampamento Paquequer. Pequeno, discreto, com área plana e água corrente do lado, situado em um vale lindo. Um luxo!

Desfizemos as mochilas, e assim que o corpo começou a esfriar, o frio se mostrou evidente. Foi o tempo de beber uma água, fazer um rápido lanche, desenrolar o isolante e já era hora de entrar no saco de dormir! O Zig levou um saco de dormir, emprestado, com temperatura de conforto de +1 grau. E além disso era bem compacto. O que levei também era bem compacto, e leve, mas com temp. de conforto de +7 graus. Erro. Cheguei a pensar em levar emprestado um saco poderoso da Lia, com temp. conforto -1 grau, mas ele é novinho, ela nem usou ainda. E além disso ele pesa o dobro do que o que eu levei.

20:00 – Dormir

Às 20hs já estávamos dormindo, ou pelo menos tentando. A noite estava clara, não tinha uma nuvem no céu, e a lua estava quase cheia, a ponto da luz incomodar, já que não levamos barraca. Mas até aí tudo bem. Não sei bem que horas, mas em certo momento acordei com muito frio. Já estava usando meu fleece com uma camisa de manga comprida por baixo. Foi aí que aquela decisão que tomei as 7:30 da manhã me salvou. Peguei meu casacão e vesti por cima de tudo. Entrei de volta no saco e a situação melhorou bastante. Imagino que a temperatura tenha ficado abaixo dos 5 graus na madrugada. Ouvimos dizer que no cume do Sino ficou abaixo de zero.

>> Domingo, 22 de agosto

07:00 – Acordar

Após quase 12 horas de sono, o sol e o meu alarme do celular nos acordou. Eu tinha desligado o celular, mas esqueci de desativar o alarme. Nos recuperamos bem do dia anterior, apesar dos joelhos ainda doerem por causa da chaminé da Verruga. Por causa disso, resolvemos cancelar a escalada da Chaminé Cassin, nosso objetivo #3.

Amanhecer no Paquequer ©PedroStabile.com

Começamos o dia bem devagar, com um café da manhã tranquilo, e pude apreciar o Acampamento Paquequer na luz do dia. Depois disso, por volta de 8:30, nos equipamos, escondemos as mochilas e partimos trilha acima, rumo a Agulha do Diabo.

09:30 – Agulha do Diabo

Em mais ou menos 1h alcançamos a base da via, após descermos o Grotão do Inferno. A Agulha do Diabo é fantástica! Tudo sobre ela é impressionante, sua localização no coração do Parque, sua formação única, a escalada prazeirosa, tudo. Está na lista das Top-15 escaladas em rocha do mundo. E foi conquistada em 1940!

Agulha do Diabo ©PedroStabile.com

A via mistura trechos de escalada em rocha com trechos de mato e caminhadas rápidas. Uma típica via de aventura. Todos os lances são interessantes, e a escalada em si é muito rápida. As enfiadas são curtas e utilizam no máximo 3 ou 4 costuras. Na última enfiada, um cabo de aço leva ao cume.

Zig na segunda enfiada da Agulha ©PedroStabile.com

11:30 – Cume da Agulha do Diabo

O visual é incrível, e ficamos no cume uns 30 min. Começou a bater um ventinho frio, e então resolvemos descer. Ainda tínhamos que fazer toda a trilha de volta, parando no Paquequer para resgatar e arrumar as mochilas.

Morro da Cruz, Queixo e Verruga do Frade ©PedroStabile.com

Cume da Agulha do Diabo ©PedroStabile.com

Zig no 1o rapel da Agulha ©PedroStabile.com

14:00 – Retorno ao Paquequer

Assim que chegamos, pegamos as mochilas e aproveitamos a folga de tempo para dar uma descansada de uns 40 min antes de pegar a trilha de volta. Ainda tínhamos que subir o vale até o colo do Sino com o Morro da Cruz, para chegar na Cota 2000 da trilha do sino. Dá vontade de ficar nesse lugar por um tempo.

Morro da Cruz, visto da Cota 2000 ©PedroStabile.com

15:10 – Cota 2000

Chegar na Cota 2000 da trilha do Sino até que foi mais rápido do que eu esperava. Chegando lá, percebe-se o preço de uma trilha ser tão frequentada, com restos de papel higiênico em vários pontos. A partir desse ponto, fizemos a descida toda pela trilha normal da Pedra do Sino, que é uma trilha luxuosa, bem aberta, sem obstáculos. No inverno, quero dizer. No verão ela é um rio, e talvez seja mais rápido descer de caiaque do que andando.

18:00 – Carro

Para não correr o risco de lesionar os joelhos, descemos devagar, e em 3h chegamos no carro. Depois disso, uma parada rápida na casa do Zig em Terê, e rumo ao Rio, de volta à “realidade”.

Foram alguns dos melhores dias que passei escalando e caminhando, e em breve estarei de volta. O Parque Nacional da Serra dos Órgãos é enorme, e pretendo conhecer e escalar tudo o que puder.

Links úteis:

- Croqui do Paredão Paraguaio
- Informação sobre o Paredão Paraguaio
- “Croqui” da Agulha do Diabo
- Croqui da Chaminé Cassin
- Informação e história da Verruga do Frade
- Livro: Parque Nacional da Serra dos Órgãos, de Waldyr Neto e Ernesto de Castro
- Site do PARNASO


O JB acabou…

… de entrar plenamente na era digital. “O primeiro jornal do Brasil 100% digital”. Ou pelo menos é o que eles dizem. É uma maneira de ver as coisas, ao invés de ver o que realmente aconteceu, e está acontecendo cada vez mais: a mídia impressa está perdendo lugar para a internet. Se os impressos não derem um salto de qualidade na informação oferecida, e continuarem com análises vazias, vão morrer…

E quanto tempo será que o site vai durar?


Caminho das Orquídeas

Orquídea ©PedroStabile.com

Orquídea ©PedroStabile.com

Fazendo uma busca no Google por trilhas e escaladas no Parque Nacional da Serra dos Órgãos (PARNASO), achei quase que por acaso um link para um artigo do Clube Excursionista Light (CEL) sobre a história do Caminho das Orquídeas, escrito por Salomyth Fernandes. E que história!

Um dos trechos que mais gostei, talvez por me identificar com a sensibilidade do autor, eu reproduzo abaixo:

2ª Investida – 05/09/65
Partimos do Abrigo 3 (cota 2.000), levando todo o material, inclusive machadão e foice em direção ao Riacho Paquequer (acampamento). Atravessamos o Riacho Açu e, procurando sempre que possível, em curvas de nível, abrindo e contornando o Morro queimado. De repente, no ardor da luta desenfreada contra um forte taquaral trançado infernal, com foice e facões durante 3 horas, deparamos com uma pequena clareira com árvores copadas: perto, uma pedra de bom tamanho – coberta de musgo (batizamos com nome de “Pedra do Tapete”), na qual pendia uma imensidão de orquídeas em flor.
Paramos, sentamos para reverenciar, em silêncio, aquela inigualável maravilha. Tanta beleza que nos fez sentir uns invasores miseráveis daquele santuário dos deuses; beija-flores que saltitavam, zuniam com suas asas vibrantes, no afã de se alimentarem do néctar das flores. Bem que a natureza lutou contra nós, para proteger e preservar o Santuário com aquele maranhado taquaral que, a muito custo foi vencido. Mais tarde, infelizmente, [foi] destruída esta maravilha pelos vândalos, “caçadores de orquídeas”, quando souberam pelo noticiário. A princípio pensamos em batizar com o nome de Marechal Rondon [...] mas, devido ao fato acima citado, achamos mais poético e lindo o nome “Caminho das Orquídeas”.
Leia o texto na íntegra aqui.

Italianos com Secundo

Domingo foi dia dos pais, mas mais importante que isso, foi dia de escalar parede! Fomos eu e meu grande amigo Kabrito, escalador, BASE jumper, mergulhador de combate casca-grossa, recém chegado de missão de paz da ONU no Haití, na clássica via dos Italianos, seguindo após seu final pela via Secundo Costa Neto, no Pão de Açúcar. Essa deve ser, sem exagero, uma das vias mais clássicas do Rio de Janeiro, senão do Brasil! E porque não dizer do mundo!!

Kabrito escalando a clássica via dos Italianos ©PedroStabile.com

Brito escalando a clássica via dos Italianos ©PedroStabile.com

A via conta com aproximadamente 270 metros de 4º e 5º grau, em uma parede quase vertical em alguns trechos mas com boas agarras, e muito bem protegida (E1) com grampos bem próximos uns dos outros. Uma cordada rápida pode fazê-la sem problemas em poucas horas.

Urubu no platô de conexão das duas vias (a casa dele)©PedroStabile.com

Urubu no platô de conexão das duas vias (a casa dele) ©PedroStabile.com

Um fato curioso é que a via dos Italianos não foi conquistada por italianos, e sim por brasileiros! Isso mesmo. Ela foi conquistada em 1981 pelos brasileiros Mário Arnaud e André Ribas. Então qual é a razão do nome? Um mal entendido. Ela foi confundida com a via Cortina, que foi de fato conquistada por italianos, em 1975, no mesmo lugar, utilizando uma técnica de progressão artificial, com proteções fortes o suficiente para aguentar apenas o peso do escalador colocadas a cada 1,5 metros. Ou seja, foram colocadas centenas dessas proteções em uma parede cheia de agarras! Mas não devemos desmerecer essa modalidade de escalada, ainda mais naquela época quando esse era o estilo. A via Cortina foi desequipada pela dupla brasileira e não existe mais. A única coisa que sobrou foi a referência no nome.

Kabrito nos últimos metros do Secundo, já no cume ©PedroStabile.com

Kabrito nos últimos metros do Secundo, já no cume ©PedroStabile.com

Uma das vantagens de fazer cume no Pão de Açúcar, que é também uma desvantagem ao mesmo tempo, é o fato de poder descer de bondinho ao invés de ter que rapelar a via inteira. Isso agiliza muito a escalada. Por outro lado, não podemos nos acostumar com essa moleza, já que o normal não é ter uma estação de bondinho, com lojas, lanchonetes e banheiros, no cume das montanhas. E que bom! Lembre-se: o cume é só a metade do caminho.

Obs: Fiz todas as fotos com meu telefone celular Nokia N95.

Obs 2: Não, eu não tenho patrocínio da Nokia.


Vídeo: Migalhas Indecentes

No final do ano passado filmei dois amigos meus, André “Godoffe” e Juliano Magalhães, em uma via chamada Migalhas Indecentes, localizada no Campo Escola 2000 na Floresta da Tijuca, e graduada como 9c. O vídeo mostra os dois ainda em fase de tentativas na via. Desde então, ambos escaladores já encadenaram a via.

É interessante frisar que o vídeo foi feito com a então G9 da Lia.

Migalhas Indecentes, 9c (Fr 8a) from Pedro Stabile on Vimeo.


Escalada no Morro Dois Irmãos

No último domingo, já no meio da tarde, resolvi que queria escalar. Depois de ligar para algumas pessoas, que provavelmente já estavam escalando, e não conseguir falar com ninguém, resolvi ir sozinho. Diante dessa decisão eu tinha basicamente três opções: fazer boulder, escalar em solo, ou escalar usando uma técnica de auto-segurança.

Como eu queria fazer uma parede mas nada muito fácil ou que já tivesse feito antes, decidi escalar em auto-segurança uma via no Irmão Menor, no Morro Dois Irmãos, um lugar que eu frequento muito pouco. Após uma busca rápida por croquis, na famosa croquiteca do Clube Excursionista Carioca, concluí que minha melhor opção era a via Paulista (3° IV).

Croqui da via Paulista, a número 4 ©Clube Excursionista Carioca

Croqui da via Paulista, a número 4 ©Clube Excursionista Carioca

Com o croqui impresso, e algumas lembranças de como chegar na base da pedra, parti em direção ao Parque do Penhasco Dois Irmãos. A caminhada foi tranquila e rapidamente eu estava no mirante do parque. Tinham umas 10 pessoas lá, quase ninguém se consideramos a vista do lugar combinada com um domingo de sol. Era pra ter umas 200 pessoas admirando a cidade lá de cima. Eu imagino como não devia estar o Pão de Açúcar…

Vista panorâmica do Morro Dois Irmãos ©PedroStabile.com

Vista panorâmica do Morro Dois Irmãos ©PedroStabile.com

A foto acima foi feita com meu celular, o Nokia N95, pois sabia que o lugar tinha uma certa reputação de ser perigoso e eu não iria levar minha Nikon para lá… aliás, não levei nem a carteira! Apenas uma identidade a pedido da Lia.

Após mais alguns poucos minutos de caminhada íngreme, já na trilha, cheguei na base da via Solaris. Essa via foi a primeira que eu fiz nessa parede, há muitos anos atrás, embora a intenção fosse escalar outra via. Ou seja, fiz a via errada. Isso aconteceu praticamente todas as vezes que fui lá! Infelizmente, eu estava prestes a manter essa tradição.

O meu croqui (início do post), desenhado em mil novecentos e Getúlio Vargas, não mostra nenhuma via entre a Marizel e a Paulista. Constatei que ele estava defasado quando vi grampos inox brilhando de novos na parede entre elas. Mas, de acordo com a minha interpretação do croqui, eu estava no lugar certo: logo após uma subidinha e na base de um diedrinho/blocos de pedra. Croquis de escalada são interessantes. Quando você quer, interpreta eles de qualquer maneira:

- “Essa subida aqui (no croqui) deve ter sido essa que a gente fez agora… olha aqui, tem uma árvore! Igual ao desenho! Só pode ser aqui…”

Visual da base ©PedroStabile.com

Visual da base ©PedroStabile.com

Decidi que estava na base da via certa, e comecei os procedimentos de auto-segurança. Não quero entrar em detalhes sobre essa técnica, pois se feita errada pode ser muito perigosa, aliás, até feita da maneira “correta” pode ser perigosa. Não quero incentivar ninguém e, além disso, cada um desenvolve seu próprio método. Basicamente, a técnica permite que você escale sozinho, com a segurança da corda, mais ou menos como se estivesse com um parceiro, só que você faz a sua própria (auto) segurança.

Normalmente solo os primeiros grampos, pois não gosto da idéia da ponta da corda presa em uma árvore na base, onde qualquer maluco pode cortar. De cara percebi que a graduação estava puxada para uma via de 3° ou 4° grau, mas pensei que fosse uma “falta de psicológico”, em função do estilo da escalada. Mas não. Era a tradição de errar a via…

Lá pelas tantas, o que eu desconfiava se confirmou. “Porra! De jeito nenhum isso aqui é 4° grau!” Mas, quem tá na chuva é pra se molhar, não é? A escalada estava boa, a via sem dúvida era maneira, então continuei. Depois de 3 enfiadas, percebi que até daria tempo de fazer cume, mas que isso significaria descer no escuro. Eu tinha levado minha headlamp mas não queria abusar da minha sorte, dada a reputação e as histórias do lugar, e portanto resolvi rapelar.

O que os franceses pensam sobre rapel ©Ned

O que os franceses pensam sobre rapel ©Ned

O rapel foi rápido, sem complicações. Cheguei de volta à base em uns 20 minutos. Quando estava passando a corda, ainda com o baudrier, ouvi vozes e passos. Fiquei um pouco paranóico, já pensando o pior, mas me acalmei pensando que se eu estava lá, por que não podiam ser outros escaladores, ou mesmo membros das comunidades abaixo?

A calma permaneceu até eu estabelecer contato visual com um sujeito com algo como um cano nas mãos. Continuei calmo e decidi racionalizar a situação: “Deve ser uma vara de pescar, dessas de encaixe, e o dono e seus 1, 2, 3 amigos estão indo pescar no final de tarde no mirante do leblon.” Que lindo!

Mas não, não era uma vara de pescar. Era uma arma calibre 12, que ia da cintura do cara até o chão. Ao constatar isso, incrivelmente, fiquei mais calmo ainda! Parei o que estava fazendo, pois vai que o cara acha que o gri-gri é uma arma… Quando ele estava a dois metros de mim, perto o suficiente para eu perceber o adesivo do escudo do Flamengo no cano, iniciei um diálogo:

- Boa tarde – eu disse.
- Tava escalando? – disse o cara, olhando a corda e o equipamento.
- Acabei de descer. Já ia embora… – respondi, meio que perguntando.
- Tu mora aonde? – perguntou o cara.
- Aí embaixo… – respondi, meio que olhando pro Leblon inteiro.
- … – disse ele.
- Fud… – pensei. Pensei! Não ia falar isso pro cara!

E aí o cara foi embora. E os outros 3 foram atrás. Beleza!

“Arrumei” a mochila rapidamente e percebi um segundo problema, eles tinham ido pro mesmo lado que eu ia. E agora? “Espero eles voltarem, vou devagar para não encontrar com eles, subo em direção à Rocinha…?” pensei. Estava ficando de noite, e eu não sabia se eles estavam procurando um amigo ou caçando um inimigo, portanto decidi ir logo, pois vai que daqui  a pouco passa o amigo ou o inimigo, e qualquer um dos dois não vai com a minha cara.

A 12 em ação! © O tarado do Google
A 12 em ação! © O tarado do Google

Logo que comecei a trilha de volta para a “segurança” da cidade, encontrei a calibre 12 e seu dono parados, tomando conta dos companheiros que estavam trilha abaixo e que, na verdade, já estavam subindo de volta. Iniciei um segundo diálogo:

- Opa… – eu disse, para chamar a atenção sem tomar um tiro.
- … – disse o cara, balançando a cabeça como quem diz “qual foi”.
- Tá tranquilo descer? – perguntei.
- Vai lá. – respondeu, sem me convencer.
- Aí… – continuou – … você não viu ninguém aqui em cima não hein.
- Claro que não! – respondi com entusiasmo.

E desci torcendo para não tomar um tiro pelas costas.

Mas devo dizer, o cara era profissional. Não elevou a voz nem uma vez, nem comigo nem com os amigos. Não apontou a arma para mim em nenhum momento. Só faltou me entregar um cartão de visitas, já pensou: “Escale com segurança, contrate meus serviços”. “Vai lá, escala tranquilo, tô na seg!” e aponta a 12 de um lado para o outro.

Depois que deu tudo certo, fiquei pensando que foi até bom acontecer isso, pra eu não esquecer que essa cidade é uma selva. Não abusar da sorte. No início da tarde cheguei a pensar em fazer cume, ver o pôr do sol lá de cima, e rapelar a noite. Agora sei que para fazer isso, a boa é passar a noite lá em cima. Ou não fazer.

Mas isso não significa que eu não vá voltar lá. Eu vou. Armado até os dentes! Armado de corda, costuras, friends, nuts, hexentrics… e com qualquer um que se interesse em escalar vias maravilhosas, em um dos lugares mais maneiros do Rio, com um dos visuais mais bonitos da cidade.

E que não se incomode de fazer a via errada…


Fanatismo (parte 1)

Você acha que você é fanático?

Fanatismo (do francês “fanatisme”) é o estado psicológico de fervor excessivo, irracional e persistente por qualquer coisa ou tema, historicamente associado a motivações de natureza religiosa ou política. É extremamente freqüente em paranóides, cuja apaixonada adesão a uma causa pode avizinhar-se do delírio.
Wikipedia.

Eu gosto da parte que fala sobre o “fervor persistente por qualquer coisa ou tema”, pois é aí que a maioria dos fanáticos por esportes se enquadram. Nunca desistem, mesmo frente as mais diversas dificuldades. Gostam de um bom desafio. E em alguns casos, quando todo o corpo sente dor, sorriem.

E qual competição melhor que o Tour de France para mostrar um pouco desse fanatismo? Abaixo algumas belas fotos.

O cara, Lance Armstrong © PASCAL PAVANI/AFP/Getty Images

O cara, Lance Armstrong © PASCAL PAVANI/AFP/Getty Images

Pode chorar, não tem problema ©Spencer Platt/Getty Images

Pode chorar, não tem problema ©Spencer Platt/Getty Images

Parar pra que? E perder posições? ©Spencer Platt/Getty Images

Parar pra que? E perder posições? ©Spencer Platt/Getty Images

Chuva? Sem problemas... ©JOEL SAGET/AFP/Getty Images

Chuva? Sem problemas... ©JOEL SAGET/AFP/Getty Images


Gel? Barrinha de proteína? Nada disso... ©JOEL SAGET/AFP/Getty Images
Gel? Barrinha de proteína? Nada disso… ©JOEL SAGET/AFP/Getty Images
Paixão....

Paixão.... ©JOEL SAGET/AFP/Getty Images

Mais um dia de competição ©Spencer Platt/Getty Images

Mais um dia de competição ©Spencer Platt/Getty Images

E por falar em fanatismo... ©REUTERS/Bogdan Cristel

E por falar em fanatismo... ©REUTERS/Bogdan Cristel

O famoso "sangue nos olhos" ©REUTERS/Bogdan Cristel

O famoso "sangue nos olhos" ©REUTERS/Bogdan Cristel

Veja mais fotos aqui.

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O Monstro da Caixa

A fascinante história de um ser dócil que ao entrar em uma caixa se transforma em um monstro agressivo.

Atores: Lola e Nanquim
Direção: Lia Caldas
Edição: Eu

O Monstro da Caixa from Pedro Stabile on Vimeo.


RedBull Illume

A RedBull lançou um slideshow sem fim, com mais de 22 mil fotos de mais de 4 mil fotógrafos de 112 países, no site redbullillume.com. São fotos de esportes de aventura, e algumas realmente impressionantes. Alguns exemplos abaixo:

RedBull02

RedBull01

RedBull03

RedBull04

Veja as outras 22.760 fotos em redbullillume.com.


Lei do Photoshop

Eu trabalho há muito tempo com photoshop. E qual fotógrafo que hoje em dia não o utiliza? O photoshop é uma ferramenta maravilhosa em termos de tecnologia de tratamento, edição e modificação de imagens. É tão bom que ainda por cima é fácil de usar. Se fosse muito, mas muito complicado apagar uma celulite da perna de uma famosa qualquer, isso seria um serviço caro, e portanto nem todas as agências ou publicações, e até mesmo freelas, teriam como oferecer esse serviço. Além disso, existiriam poucos profissionais no mundo capazes de realizar tal trabalho.

Mas esse ponto de vista culpa o Photoshop pelo uso indevido. Isso é o mesmo que culpar uma arma por um crime! O uso dessa ferramenta só evidencia a questão humana por trás disso tudo. A vaidade. A pressão da sociedade. Hoje em dia tem gente que trata suas fotos antes de colocar no Facebook.

Madonna antes e depois © 5Magazine

Madonna antes e depois © 5Magazine

Além disso, por mais que o PS seja ótimo, ele não substitui o olhar, a experiência. E cria um hábito horrível, o “isso aí depois eu apago no photoshop”. Porque?! Faça a melhor foto que você puder agora! “A luz depois eu ajeito no lightroom…”. Preguiçoso!!! De um certo modo, as máquinas digitais contribuem para esse problema. Você ajusta ela para fazer 3 opções de fotometragem, para cada foto, e depois escolhe a melhor. Será que essa é a melhor maneira de conseguir um bom resultado? Talvez para o amador.  Mas e quando profissionais começam a fazer isso?

Agora vou ser advogado do diabo. Será que é justo um cara com anos de experiência, ficar horas e horas sentado diante de um computador resolvendo aquela celulite, aquela gordurinha, aquela depilação mal feita que a pouco profissional modelo deixou de lado (afinal, cuidar dessas coisas é parte do trabalho dela), para não ter crédito nenhum depois? E pior que isso, a maior parte das modelos acham que elas realmente são assim, lindas e maravilhosas, ou pelo menos gostam de se enganar e no processo enganar o público. Por isso, nem pense em falar para ela que você fez isso ou aquilo na foto dela! Não me levem a mal, não tenho nada contra essa profissão, que imagino não ser nada fácil. Sou contra a falta de profissionalismo, em qualquer área.

photoshop

Então vejamos quem recebe crédito em um ensaio fotográfico: tem o cara da iluminação, a produtora de moda, o figurinista, o maquiador, o cabeleireiro, o assistente, a mulher dos acessórios, o dono do lugar, o cara que nem era da equipe mas que foi comprar um sanduíche na esquina… e é claro, as estrelas: o fotógrafo e a modelo.

Depois que todo mundo acabou, começa o trabalho do nosso amigo: acertar a luz que o iluminador errou, apagar a tatuagem que o maquiador não viu, ajeitar o fundo que a produtora deixou passar, reduzir as gordurinhas da modelo que não estava na forma devida… E o fotógrafo? O que ele tem a ver com isso tudo? Ele deixou tudo isso passar na avaliação dele!!! Nós não somos apenas apertadores de botão!

Os tratadores de imagem não são monges budistas, sem apego ou ego. Eles querem, e com todo direito, crédito. O “problema” é que o crédito deles fere a imagem da indústria da beleza. Talvez porque ela tenha desviado do caminho. Afinal, o que é a beleza? Como diz o antigo ditado, “a beleza está nos olhos de quem vê”.

Abaixo, a notícia do projeto de lei que me levou a escrever esse post, com foto inserida por mim.

Congresso brasileiro quer criar a Lei do Photoshop

Projeto de lei deste ano em tramitação no Congresso torna obrigatório o aviso da manipulação de imagens

Imagine a capa e os ensaios da Playboy, fotos de gente famosa ou anúncios de produtos cosméticos com a modelo Gisele Bündchen seguidos do alerta: “Atenção: imagem retocada para alterar a aparência física da pessoa retratada”. É o que propõe um projeto de lei deste ano em tramitação no Congresso que torna obrigatório o aviso da manipulação de imagens. Em dois tempos, foi apelidado de Lei do Photoshop e acendeu uma polêmica sobre o controle regulatório do mercado publicitário.

Entre os erros de manipulação divulgados em site como Photoshop Disasters, uma modelo nua aparece sem o umbigo numa revista de nudez e uma das pessoas sentadas à mesa aparece sem pernas. Várias vezes capa das revistas Playboy e Sexy — em tantas delas “photoshopada” —, a rainha de bateria Viviane Araújo diz ter exigido que suas tatuagens fossem apagadas no último ensaio em que posou nua. “O Photoshop não muda muito o resultado. Num movimento é natural aparecer uma dobra, uma gordurinha. Quando não é berrante, acho legal retocar. Não tenho grilo”, diz.

Nesta semana, a cantora Britney Spears divulgou uma foto bruta diferente daquela que havia sido publicada em que teve as coxas, manchas na pele, celulite, tatuagens e o quadril retocados. Disse que queria diminuir a pressão que exerce para que as mulheres pareçam perfeitas.

Britney Spears antes e depois... que beleza! © Candies

Britney Spears antes e depois... que beleza! © Candies

Autor da lei, o deputado Wladimir Costa (PMDB-PA) atribui a anorexia e a bulimia à manipulação de imagens. “Temos grande responsabilidade no combate a esse mal. Há uma enganação latente em todo o processo de criação e veiculação de peças publicitárias.” Como tramita em caráter conclusivo, a proposta não precisa ir a plenário na Câmara, basta ser aprovada nas comissões para seguir ao Senado. A multa prevista é de R$ 50 mil.

Para o Conar, o Conselho de Autorregulamentação Publicitária, a lei é subjetiva e o Código de Defesa do Consumidor já prevê sanções, com prisão e multa, para a veiculação de propaganda enganosa ou abusiva. “A lei do Photoshop não faz falta, não vai mudar nada. O legislador tem uma mão muito pesada e alcança liberdades públicas. Não existe código de ética para a propaganda política, mas para a propaganda comercial tem”, diz Gilberto Leifert, presidente do Conar.

Fonte: Agência Estado, SP

Há alguns anos a Dove iniciou a sua campanha pela real beleza. Acho que ele foram corajosos e pioneiros, já que estamos falando de uma empresa multimilionária que ousou remar contra a correnteza. E expuseram sua opinião nesse vídeo:

Um vídeo que mostra o quanto é possível manipular uma imagem.


Resposta: Copyright x Marca d’água, via Lia

A Lia, após sofrer um assalto internético de uma de suas fotos, e recebendo como resposta do “bandido” o fato que vários outros sites e instituições tinham feito a mesma coisa (o que não exime ele da culpa, mas justifica sua história de que ele não sabia etc), fez um post sobre o assunto.

Publico abaixo meu comentário, copy/paste, do blog dela, com algumas fotos para ilustrar.

“Infelizmente, nós fotógrafos chegamos a uma situação perde-perde em relação a fotos na internet. Se por um lado a internet é uma ótima maneira de divulgar o nosso trabalho, por outro, é uma fonte de problemas relacionados a copyright. E por conta disso, devemos prejudicar o próprio fruto do nosso trabalho com uma marca d’água.

Como admirar uma foto assim? © Preciso dizer?

Como admirar uma foto assim? © Preciso dizer?

Em uma época pré-internet e fotos digitais, imagino que dificilmente alguém iria invadir sua casa ou escritório ou agência visando, unicamente, o roubo de uma fotografia para utilização em algum meio impresso, comercialmente ou não. E mesmo assim, essa pessoa teria que invadir o lugar a força, talvez com o uso de armas etc.

Hoje me dia, não. Hoje nós temos o Google. A melhor ferramenta já inventada pelo homem para achar informação relevante nesse universo de inutilidades e porcarias que é a internet. E é aí que a coisa complica para os fotógrafos profissionais.

Se a sua foto é boa, vai ser achada pelo Google. E, convenhamos, clicar com o botão da direita do mouse e escolher salvar como… é muito mais fácil do que arrombar uma porta. E é claro, como disse o Lula, isso é feito sistematicamente nesse país. Isso torna certo? NÃO! Mas é uma realidade, e devemos nos proteger. Do que? da ignorância das pessoas.

Máxima proteção!

Máxima proteção!

Durante muito tempo, e ainda hoje, convivo com pessoas que ao serem fotografadas, ou se verem em uma fotografia, consideram ser delas a foto. Afinal, são ELAS que aparecem na foto. Desisti há muito tempo de ensinar essa lição. Portanto, não dou mais fotos minhas sem copyright na foto há algum tempo. Mas se até mesmo seus amigos não sabem que estão te lesando como profissional, ao usar uma foto sua comercialmente que você só lhes deu para colocar no FB por exemplo, o que dirá dos que nunca ouviram falar de você? É como colocar um pedaço de bolo em cima de um formigueiro e não querer que as formigas façam um banquete!

E eu pensei que podia confiar nelas... © Boris Hudak

E eu pensei que podia confiar nelas... © Boris Hudak

É aí que entra minha crítica às redes sociais de fotografia. Uma rede dessas, voltada para o público que gosta, admira, ou trabalha com fotografia, deveria proteger um aspecto básico desse mercado: o direito autoral. Por muito tempo pensei em entrar no Flickr, afinal, se quero mostrar meu trabalho como fotógrafo, por que não entrar na mais popular rede social fotográfica?

O problema é que por mais que o Flickr tente impedir que pessoas “roubem” suas fotos, usando o tal do spaceball.gif, não faz nada para barrar o acesso do Google. Então você pensa que está protegido, mas na verdade está com a bunda na janela.

Bunda na janela © Google... brincadeira! wtfsite.com.br

Bunda na janela © Google... brincadeira! wtfsite.com.br

Infelizmente, para perda dos que apreciam uma boa fotografia, para divulgar fotos na internet devemos colocar copyright dentro da foto, e não só no canto não, mas em forma de marca d’água mesmo. Não vejo problema nenhum em “roubar” uma foto que você gosta para ter no seu computador e poder olhar a qualquer hora. Eu mesmo tenho uma pasta chamada “Fotos_Internet”, de fotos que gostei e baixei e, de vez em quando, até coloco no meu blog como uma forma de homenagem.

Minha “solução”, foi fazer o meu site usando flash. O Google não sabe o que é flash (por enquanto). E ainda por cima desabilitei a opção de “right-click”. Isso significa que o Google não acha minhas fotos e quem visitar meu site não terá facilidades para pegar uma foto (mas se quiser, vai conseguir. Existem outras maneiras mas aí o cara tem que ser muito filho da p…). Por esses motivos, optei por não colocar copyright dentro da foto. Já no meu blog, coloco em todas, e grande. E a partir de agora, por causa desse episódio, usarei a forma de marca d’água.

Sempre tem alguém para te sacanear © Lia Caldas

Cuidado... sempre tem alguém para te sacanear © Lia Caldas

Só que tem uma coisa, isso também significa que eu estou de fora da maior ferramenta de buscas da internet. O meu site é aquela lojinha no 3º andar de um prédio velho no centro da cidade. Só vai quem conhece!

Enfim, se tem alguma coisa a se aprender com essa história é: You can´t trust the system! Maaaannn….”

Para fechar esse post, gostaria de dizer que tudo que falei pode e deve servir também para ilustrações, animações, vídeos, pinturas… qualquer tipo de trabalho onde você se expressa de uma maneira artística.


Eyjafjallajökull

Calma… não estou xingando ninguém! Esse é o nome do famoso vulcão islandês que resolveu mostrar um pouquinho da sua força e parou vários aeroportos da Europa por alguns dias. Inconformado com as “fotos medíocres” que ilustravam as reportagens sobre as cinzas do vulcão, o cinegrafista Sean Stiegemeier resolveu registrar o fenômeno do seu jeito. O resultado das gravações realizadas há duas semanas é simplesmente impressionante.

Iceland, Eyjafjallajökull – May 1st and 2nd, 2010 from Sean Stiegemeier on Vimeo.

Pela descrição do vídeo no Vimeo, pode-se ver que ele optou filmar com a máquina fotográfica Canon 5d mkII. Cada vez mais as pessoas estão filmando com equipamento fotográfico, já que a diferença de qualidade para uma filmadora semi-profissional, como a Sony EX1R, é pequena, 10% dizem os especialistas. Em compensação, o equipamento fotográfico é muito mais barato. Só para ter uma idéia, essa Canon 5d + lente sai por US$ 3.300,00. Já a Sony EX1R custa US$ 6.600,00, o dobro! E nem é top de linha.