Lei do Photoshop
Eu trabalho há muito tempo com photoshop. E qual fotógrafo que hoje em dia não o utiliza? O photoshop é uma ferramenta maravilhosa em termos de tecnologia de tratamento, edição e modificação de imagens. É tão bom que ainda por cima é fácil de usar. Se fosse muito, mas muito complicado apagar uma celulite da perna de uma famosa qualquer, isso seria um serviço caro, e portanto nem todas as agências ou publicações, e até mesmo freelas, teriam como oferecer esse serviço. Além disso, existiriam poucos profissionais no mundo capazes de realizar tal trabalho.
Mas esse ponto de vista culpa o Photoshop pelo uso indevido. Isso é o mesmo que culpar uma arma por um crime! O uso dessa ferramenta só evidencia a questão humana por trás disso tudo. A vaidade. A pressão da sociedade. Hoje em dia tem gente que trata suas fotos antes de colocar no Facebook.

Madonna antes e depois © 5Magazine
Além disso, por mais que o PS seja ótimo, ele não substitui o olhar, a experiência. E cria um hábito horrível, o “isso aí depois eu apago no photoshop”. Porque?! Faça a melhor foto que você puder agora! “A luz depois eu ajeito no lightroom…”. Preguiçoso!!! De um certo modo, as máquinas digitais contribuem para esse problema. Você ajusta ela para fazer 3 opções de fotometragem, para cada foto, e depois escolhe a melhor. Será que essa é a melhor maneira de conseguir um bom resultado? Talvez para o amador. Mas e quando profissionais começam a fazer isso?
Agora vou ser advogado do diabo. Será que é justo um cara com anos de experiência, ficar horas e horas sentado diante de um computador resolvendo aquela celulite, aquela gordurinha, aquela depilação mal feita que a pouco profissional modelo deixou de lado (afinal, cuidar dessas coisas é parte do trabalho dela), para não ter crédito nenhum depois? E pior que isso, a maior parte das modelos acham que elas realmente são assim, lindas e maravilhosas, ou pelo menos gostam de se enganar e no processo enganar o público. Por isso, nem pense em falar para ela que você fez isso ou aquilo na foto dela! Não me levem a mal, não tenho nada contra essa profissão, que imagino não ser nada fácil. Sou contra a falta de profissionalismo, em qualquer área.

Então vejamos quem recebe crédito em um ensaio fotográfico: tem o cara da iluminação, a produtora de moda, o figurinista, o maquiador, o cabeleireiro, o assistente, a mulher dos acessórios, o dono do lugar, o cara que nem era da equipe mas que foi comprar um sanduíche na esquina… e é claro, as estrelas: o fotógrafo e a modelo.
Depois que todo mundo acabou, começa o trabalho do nosso amigo: acertar a luz que o iluminador errou, apagar a tatuagem que o maquiador não viu, ajeitar o fundo que a produtora deixou passar, reduzir as gordurinhas da modelo que não estava na forma devida… E o fotógrafo? O que ele tem a ver com isso tudo? Ele deixou tudo isso passar na avaliação dele!!! Nós não somos apenas apertadores de botão!
Os tratadores de imagem não são monges budistas, sem apego ou ego. Eles querem, e com todo direito, crédito. O “problema” é que o crédito deles fere a imagem da indústria da beleza. Talvez porque ela tenha desviado do caminho. Afinal, o que é a beleza? Como diz o antigo ditado, “a beleza está nos olhos de quem vê”.
Abaixo, a notícia do projeto de lei que me levou a escrever esse post, com foto inserida por mim.
Congresso brasileiro quer criar a Lei do Photoshop
Projeto de lei deste ano em tramitação no Congresso torna obrigatório o aviso da manipulação de imagens
Imagine a capa e os ensaios da Playboy, fotos de gente famosa ou anúncios de produtos cosméticos com a modelo Gisele Bündchen seguidos do alerta: “Atenção: imagem retocada para alterar a aparência física da pessoa retratada”. É o que propõe um projeto de lei deste ano em tramitação no Congresso que torna obrigatório o aviso da manipulação de imagens. Em dois tempos, foi apelidado de Lei do Photoshop e acendeu uma polêmica sobre o controle regulatório do mercado publicitário.
Entre os erros de manipulação divulgados em site como Photoshop Disasters, uma modelo nua aparece sem o umbigo numa revista de nudez e uma das pessoas sentadas à mesa aparece sem pernas. Várias vezes capa das revistas Playboy e Sexy — em tantas delas “photoshopada” —, a rainha de bateria Viviane Araújo diz ter exigido que suas tatuagens fossem apagadas no último ensaio em que posou nua. “O Photoshop não muda muito o resultado. Num movimento é natural aparecer uma dobra, uma gordurinha. Quando não é berrante, acho legal retocar. Não tenho grilo”, diz.
Nesta semana, a cantora Britney Spears divulgou uma foto bruta diferente daquela que havia sido publicada em que teve as coxas, manchas na pele, celulite, tatuagens e o quadril retocados. Disse que queria diminuir a pressão que exerce para que as mulheres pareçam perfeitas.

Britney Spears antes e depois... que beleza! © Candies
Autor da lei, o deputado Wladimir Costa (PMDB-PA) atribui a anorexia e a bulimia à manipulação de imagens. “Temos grande responsabilidade no combate a esse mal. Há uma enganação latente em todo o processo de criação e veiculação de peças publicitárias.” Como tramita em caráter conclusivo, a proposta não precisa ir a plenário na Câmara, basta ser aprovada nas comissões para seguir ao Senado. A multa prevista é de R$ 50 mil.
Para o Conar, o Conselho de Autorregulamentação Publicitária, a lei é subjetiva e o Código de Defesa do Consumidor já prevê sanções, com prisão e multa, para a veiculação de propaganda enganosa ou abusiva. “A lei do Photoshop não faz falta, não vai mudar nada. O legislador tem uma mão muito pesada e alcança liberdades públicas. Não existe código de ética para a propaganda política, mas para a propaganda comercial tem”, diz Gilberto Leifert, presidente do Conar.
Fonte: Agência Estado, SP
Há alguns anos a Dove iniciou a sua campanha pela real beleza. Acho que ele foram corajosos e pioneiros, já que estamos falando de uma empresa multimilionária que ousou remar contra a correnteza. E expuseram sua opinião nesse vídeo:
Um vídeo que mostra o quanto é possível manipular uma imagem.














